O tempo é o mestre dos mortais.

sexta-feira, 13 de março de 2026

 Ela sente que está vivendo um dos momentos mais difíceis da própria vida. Passar por uma gestação indesejada já seria, por si só, algo profundamente desestabilizador. As emoções ficam à flor da pele, o medo aumenta, as dúvidas aparecem o tempo todo. Em um momento assim, tudo o que ela precisava era de apoio, segurança e algumas palavras de acolhimento. Precisava sentir que não estava sozinha.

Mas, em vez disso, ela se vê constantemente sendo julgada.

O que mais dói não é o fato de a outra pessoa não ser perfeita ou não corresponder a um ideal romântico. O que realmente machuca é a ausência de validação emocional. Em momentos de vulnerabilidade, quando ela tenta expressar o que sente, o que recebe de volta muitas vezes são críticas, acusações ou a sensação de que suas emoções estão erradas ou exageradas.

Ela se pergunta como alguém pode passar tanto tempo sem refletir sobre si mesmo e, ainda assim, apontar o dedo com tanta facilidade para o outro. É como se qualquer conflito precisasse necessariamente ter um culpado — e, quase sempre, essa culpada acaba sendo ela.

Mesmo tentando se adaptar, ceder e compreender o jeito do outro, a resposta que recebe é que “esse é o jeito dele” e que isso não vai mudar. Que ele nunca será o “príncipe” que ela sempre quis. Mas, no fundo, ela sabe que nunca pediu um príncipe. O que ela sempre quis foi algo muito mais simples e humano: segurança emocional, empatia e uma palavra amiga.

Ela sente que, enquanto tenta ajustar seus comportamentos para preservar a relação, o outro se coloca em uma posição onde não precisa mudar nada. Isso a faz questionar constantemente a si mesma. Pergunta-se se está exagerando, se está sendo injusta, se suas emoções são realmente válidas.

No meio de tudo isso, surge uma pergunta dolorosa que ecoa dentro dela: por que, no final, ela é sempre a culpada? Porque, quando alguém está fragilizado, confuso e emocionalmente sobrecarregado, a última coisa que precisa é ter seus sentimentos invalidados. O que ela mais precisava agora era de alguém que reconhecesse sua dor, que dissesse que o que ela sente é legítimo, que suas emoções merecem espaço e respeito.

No fundo, o que ela busca não é perfeição em ninguém. O que ela busca é algo essencial em qualquer relação humana: ser ouvida, compreendida e emocionalmente validada. Porque, quando a validação emocional existe, mesmo os momentos mais difíceis se tornam um pouco mais suportáveis. Sem ela, a dor se torna solitária. 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

 Até que ponto você iria pra manter alguém na sua vida?

Sua vida é solitária, você vê postagens felizes de amigos e casais e deseja ter algo parecido.

Daí você se apaixona, mas a pessoa não te corresponde e seu mundo desaba, até porque na sua mente você nunca vai achar outra pessoa, tem quer ser aquela! Então você insiste, insiste e insiste e depois de três foras você finalmente está com a pessoa que amou por 6 anos. Agora tudo seria um conto de fadas, mas começa em você um medo gigantesco de perder a pessoa.

E se ele enjoar de mim?

E se ele perceber que não sou o que ele queria?

Então você desesperadamente corre atrás de artigos de internet de como entreter a relação, corre atrás de conselhos de terceiros pra que aquela pessoa nunca enjoe de você. Suas tentativas só te deixam ainda mais apreensiva e você começa a interrogar o outro sobre como ele se sente, na tentativa de ter um pouco de paz e saber que está no caminho certo, mas a pessoa simplesmente não responde, não fala , não expressa.

Você tenta fazer coisas que nunca fez antes, como organizar viagens e pesquisar posições na hora H, na tentativa desesperada de que o outro se expresse e diga o quanto é bom estar com você. Você questiona se significa alguma coisa para o outro e a resposta é o silêncio. Os vácuos nas mensagens abrem um buraco no seu peito , os sinais de alarme tocam alto dizendo:

Ele vai te deixar! Ele vai te deixar!

E você começa a pesquisar na internet formas de surpreender o outro, faz um joguinho em seu aniversário para lhe presentear e acha que se saiu bem, no ano seguinte repete a estratégia, mas percebe que já não é eficaz.

Enquanto isso os anos vão se passando, você vai se anulando completamente pra viver pelo outro e para o outro, tentando construir algo, tentando seguir o relógio de forma cronológica que você foi ensinada: namoro, noivado, casamento. A medida em que o tempo passa vai percebendo que isso está cada dia mais distante. O outro descobre seu passado, não aceita, passa meses e meses entrando em seu psicológico já fragilizado e com medo. O que você faz? Busca tratamento, te passam remédio a qual o único efeito foi te engordar e sua dieta de 2 anos vai por água abaixo, você continua tentando e tentando, mas as crises com medo do abandono ficam frequentes. 

Nesse meio tempo você pensa em ter filhos, mas daí você começa a observar, a estudar e percebe que talvez você não tenha nascido pra isso, pois não tem emocional forte, não tem estabilidade financeira, mora na casa dos pais e tem mais de 30 anos. Sua mente te resume como um exemplo de fracasso e você definitivamente resolve que pôr um ser humano no mundo não é a melhor opção, pois você mal estar lidando consigo mesmo que dirá com algo maior?

Em contrapartida você continua buscando melhoras pra sua ansiedade e resolve comprar uma medicação nova que te foi receitada, você percebe que aquele é o único medicamento que está de fato te fazendo bem e agora você pode continuar focando na sua carreira profissional, no seu emprego e no seu parceiro, por que não?

Um mês depois você descobre que o medicamento maravilhoso pode ter causado a ineficácia do seu anticoncepcional e o que acontece de imediato? Boooom ! Você faz testes de farmácia, vai ao médico e o que mais temia acontece.

Depois de todos os esforços de toda anulação de si, vem aí a anulação maior da sua vida, você engravida e precisa continuar caso contrário você perde parceiro, perde o respeito dos outros e se torna a vilã de toda a história.

Agora você precisa conviver com a ansiedade te corroendo, com a tristeza batendo , você precisa enxergar tudo pela qual tentou lutar evoluir escorrer pelos teus dedos, você precisa dar adeus a sua paz, a sua liberdade, as suas noites de sono, aos seus planos de investimento e ainda escutar que é culpada por isso ter acontecido.

Ninguém vem te salvar! Ninguém se importa com o que você está sentindo, se você surtar o problema é seu, contanto que cumpra o projeto social que lhe foi imputado.

.......



quarta-feira, 11 de junho de 2025

 

O peso das palavras que nunca se esquecem

Algumas frases marcam a nossa vida mais do que qualquer promessa. Não porque foram ditas com amor, mas porque carregaram um peso que nos esmagou em silêncio. Foram palavras jogadas ao vento, talvez sem intenção, mas que cortaram fundo — e ficaram.

"Você é dramática", ele disse, com um tom de riso abafado, como se minha dor fosse piada. Como se sentir demais fosse um defeito, um exagero, uma falha minha e não a consequência da ausência dele.

"Nunca te prometi nada", veio depois. Uma frase tão fria quanto definitiva. Como se a ausência de promessas justificasse o descaso, como se carinho não precisasse de compromisso para ser real. Como se todo o afeto que entreguei com as mãos abertas não tivesse valor porque ele nunca colocou um selo em cima.

"Não posso fazer nada por você", ele completou. E talvez essa tenha sido a parte mais honesta de tudo. A incapacidade — ou a recusa — de estar, de ouvir, de cuidar. De simplesmente ficar.

E por fim, o golpe final: "Vá sozinha". Como se eu já não estivesse indo sozinha o tempo todo. Como se a solidão não fosse minha velha conhecida.

Essas frases não são apenas lembranças. Elas são cicatrizes. 

Você já ouviu frases assim? Já teve que juntar os pedaços e seguir mesmo assim? Talvez você também esteja cansando de ser chamada de dramática quando tudo que faz é sentir.

A verdade é que sentir não é fraqueza. É coragem.

E se ninguém prometeu te amar, prometa você mesma nunca se abandonar.




domingo, 8 de dezembro de 2024

 O desejo da morte, quieto e sereno,

Sussurra nas sombras do peito cansado,
Não é um grito, mas um suspiro amargo,
Uma saudade que não sabe o que busca.

É o peso do tempo, arrastando os passos,
Uma ânsia silente por fim e descanso,
Onde o corpo se curva, e a mente se cala,
Na promessa de paz que o esquecimento traz.

Mas, nas profundezas do querer sombrio,
Sabe-se que a morte não é alívio,
É o eco do que se perdeu, do que não foi,
Uma despedida do que se era, mas nunca se tornou.

No olhar vazio que a noite oferece,
Há o desejo de transcender, de se ausentar,
Mas será que a morte é o fim ou o começo?
Ou talvez seja apenas um novo despertar?




Nos corpos entrelaçados, o tempo se perde,
Cada toque é um segredo que o silêncio decifra,
Os dedos exploram com ternura e desejo,
E os sussurros se tornam canções, suavemente ritmadas.

O calor cresce, se mistura em um abraço,
Onde o ar se torna espesso, quase intangível,
Nos olhares, promessas sem palavras,
E o beijo é um convite à rendição mais doce.

O amor se faz em cada suspiro profundo,
No jogo das línguas, nas mãos que se procuram,
E os corpos, sem pressa, se conhecem,
Em um ritmo que vai além da carne,
Tocando a alma, revelando o mais íntimo.

É na fusão de ser e estar,
Que nos encontramos inteiros e frágeis,
E entre os lençóis, o amor se reescreve,
Em um poema único, sem fim, sem razão
.


Que Deus me ajude a enxergar certas coisas como vulgar ao invés de poéticas


 Me fita que eu gosto de me enxergar

Por dentro do teu olho

É tão bonito de lá

Tem cor de Marte

E teletransporte

Pra galáxia que mora em você

Me passeia que eu gosto de arrepiar

Sob sua digitais

É impossível calar

É feito sorte

Me abraça forte

E tateia todo meu caminho

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me beija que eu gosto da tua textura

Do teu gosto frutado

Sorriso colado

O compasso acertado

O ritmo acelerado

Encaixado no meu

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Encontro lar

No perfume da tua nuca

Na curva do teu ombro

E no teu respirar

Nas tuas pernas

Nas mãos, teu cabelo

E no cheiro do beijo

Que faz tu grudar

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me prova, me enxerga, me sinta, me cheira

E se deixa em mim

Me escuta no pé do ouvido

Todos teus sentidos

Que afetam os meus

Que querem te ter

Que tu me escreveu

E mais uma vez

Me bordou


Cor de MarteAnavitória

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

 Ela


Ela sempre quis ser poesia escrita por alguém , com palavras belas , puras e sinceras e recebeu nome de carente.

Ela só queria ser a flor mais irradiante no jardim de alguém e recebeu nome de dramática.

Ela só queria ter a beleza que os grandes poetas faziam questão de descrever em seus poemas, mas recebeu piadas e criticas.

Ela só queria que a amassem na mesma intensidade que ela era capaz, mas recebeu nome de infantil.

Ela só queria um soneto em seu nome, mas recebeu textos do quanto ela era indesejada.

Ela só queria ler sobre planos de futuro que estivesse incluída, mas recebeu um "não há espaço".

Ela só queria ouvir uma música dedicada em seu nome, 

Ela só queria conversar, mas não foi ouvida,

Ela queria flores e recebeu espinhos.

Ela queria ouvir coisas boas a seu respeito e só ouviu julgamentos.

No fim tudo o que sonhou virou pesadelo, ela não passava de alguém para se relacionar em um verão qualquer.