O tempo é o mestre dos mortais.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.
domingo, 30 de junho de 2013
Desencanto
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Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
- Manuel Bandeira, em "A cinza das horas", 1917.
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Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
- Manuel Bandeira, em "A cinza das horas", 1917.
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Show Me The Meaning Of Being Lonely - bsb
Mostre-me o Significado de Ficar Sozinho
Mostre-me o significado de ficar sozinho
Tantas palavras para o coração partido
É difícil ver num amor ferido
Tão difícil respirar
caminhe comigo, e talvez
noites de luz muito em breve se tornem
selvagens e livres que eu possa sentir o sol
todos os seus desejos se realizarão
Eles me dizem...
Refrão:
mostre-me o significado de ficar sozinho
é esse sentimento que preciso suportar
me diz por que não posso estar com você
tem alguma coisa faltando em meu coração
a vida continua sem nunca um fim
olhos de pedra observam as mudanças
eles nunca mostram vigília eterna...
estradas culpadas para um amor infinito
não existe controle
você está comigo agora?
todos os seus desejos se realizarão
eles me dizem
não há lugar para onde correr
não tenho para onde ir
conquiste meu coração de corpo e alma
como você pode me pedir para sentir as coisas que você nunca mostra?
você é o que falta em meu coração
me diz por que não posso estar com você
terça-feira, 18 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Folhas - Aline Anne
Folhas
Folhas em branco, palavras não ditas, não escritas.
Folhas molhadas, dores inexpressíveis,
Sentimentos inúteis atrapalham o andamento de uma vida.
Sim, eu também defendi muito este sentimento,
Até descobrir a dor e a falta que o tal pode causar.
Procurei inspiração, a folha ainda está em branco e cada vez mais úmida,
As palavras não brotam, as lagrimas não secam e o que um dia foi um sentimento,
agora é perda e desesperança.
Olho ao redor e vejo muitas pessoas conversando, rindo, desabafando e me sinto deslocada, são totais estranhos, não sinto que sou humana, mas percebo que sou quando forço um sorriso, ou quando respondo a alguém.
Está em um lugar e não está.
Estou ouvindo o grito, posso ouvi-lo, mas não posso externa-lo.
Não, não há culpados.
A única culpada sou eu que me permiti sentir, ou melhor, não permiti, mas acabei me afogando.
As palavras vão se formado, a folha já não está em branco, o que continua vazio sou eu.
Aline Anne
Folhas em branco, palavras não ditas, não escritas.
Folhas molhadas, dores inexpressíveis,
Sentimentos inúteis atrapalham o andamento de uma vida.
Sim, eu também defendi muito este sentimento,
Até descobrir a dor e a falta que o tal pode causar.
Procurei inspiração, a folha ainda está em branco e cada vez mais úmida,
As palavras não brotam, as lagrimas não secam e o que um dia foi um sentimento,
agora é perda e desesperança.
Olho ao redor e vejo muitas pessoas conversando, rindo, desabafando e me sinto deslocada, são totais estranhos, não sinto que sou humana, mas percebo que sou quando forço um sorriso, ou quando respondo a alguém.
Está em um lugar e não está.
Estou ouvindo o grito, posso ouvi-lo, mas não posso externa-lo.
Não, não há culpados.
A única culpada sou eu que me permiti sentir, ou melhor, não permiti, mas acabei me afogando.
As palavras vão se formado, a folha já não está em branco, o que continua vazio sou eu.
Aline Anne
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